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30
Set
2018

Lápis Azul Digital

30
Set
2018

“Retirar a palavra digital não é diferente de retirar a caneta ou a voz”.

Recentemente, Alex Jones, radialista e sensacionalista/teórico da conspiração americano, afecto à extrema-direita, foi banido de forma permanente do Facebook, Twitter, YouTube, iTunes e Spotify, por alegadamente incentivar ao ódio sobre as minorias. A controvérsia mereceu a reacção condenatória de Trump, que acusou as redes sociais de censura.

Ora, sem se entrar no debate sobre a pertinência do conteúdo por si produzido, tal postura é usual em Jones ao longo dos quase 20 anos de actividade. Foi o responsável pelo lançamento,

em pouco tempo, de teorias da conspiração ligadas aos acontecimentos do 11 de Setembro de 2001; em 2016, tentou ligar Hillary Clinton a redes de pedofilia; e, noutro exemplo, afirmou que o massacre de Sandy Hook, em 2012, que resultou na morte de 20 crianças, não passou de uma mentira apoiada pelo Governo. O que dizer? Choca o interesse das redes sociais em não ser palco de discurso de ódio com o direito fundamental(íssimo) à liberdade de expressão, protegido pelas Constituições ocidentais e por diplomas internacionais, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Deve o segundo ser restringido pelo primeiro? Aliás: pode o segundo ser restringido pelo primeiro? Porquê, agora, esta reacção?

Parece ser factor determinante a crispação ideológica que se vive nos EUA (e, por inerência, no Mundo Ocidental), desde a eleição de Trump, cujo discurso move reacções cada vez mais acutilantes, e a reacção à reacção cresce. Esta viciosa alimentação dos dois polos tem baixado, diariamente, a tolerância, contaminando os espaços de opinião livre. Por conseguinte, deu-se um aumento astronómico do número de denúncias aos tweets e vídeos de YouTube em que Jones participava, o que obrigou as “redes” a tomarem posição, sob pena de serem vistas como cúmplices,… calando a voz de alguém que, para alguns, apenas representava o contra-poder. O mesmo fenómeno já se deu cá em Portugal, embora de uma forma menos fracturante (são exemplos as páginas de Facebook “Jovem Conservador de Direita” e “Baluarte Dragão”).

Falta-nos compreender as redes sociais como o instrumento de importância suprema no debate público quotidiano que são. Retirar a palavra digital a alguém não é diferente de retirar a caneta ou a voz. Continuar a ignorar esta premissa e a permitir que sejam as reprovações dos consumidores a ditar quem merece ser ouvido só levará ao aumento da crispação que se sente e ao perpétuo alimentar do ciclo vicioso de acção/ reacção.

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