Editorial 28-02-2016
O medo da abundância
Áreas de Prática Fiscal

Quatro anos após um fortíssimo período de austeridade, que os portugueses não querem repetir, julgámos que o Governo deve ser cauteloso na forma como irá arquitectar o Orçamento de Estado cujo prazo está em curso.

As promessas de redução geral e segmentada da carga fiscal devem ser vistas, nesta fase, com grande desconfiança, tanto mais que o responsável pela pasta faz depender o cumprimento do deficit de um crescimento de cerca de 2% do PIB que nos parece irrealista.

Naturalmente que todos desejamos a diminuição dos impostos e a reposição do poder de compra.

O que ninguém pretende é que o preço de uma redução imediata seja um custo num futuro próximo, com o sabor amargo de novo programa internacional de ajustamento imposto pelo credores.

Conscientes das dificuldades que vivemos, julgamos que todos temos medo da abundância e folga que se anuncia.

A reposição dos feriados e dias de férias, a mais que certa tolerância do dia de Carnaval são medidas que não deixam de criar apreensão, não tanto pelo impacto económico, mas pela lógica facilitista que está subjacente às medidas, que esperamos não venham ser replicas do Orçamento de Estado.

Este deverá ser o escrutínio que teremos de fazer nas medidas a anunciar.


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