Editorial 12-12-2016
O final do ano de 2016 em matéria fiscal

O final do ano de 2016 em matéria fiscal, marcado pela aprovação do orçamento de Estado para 2017, deixa no ar a preocupação da permeabilidade do poder legislativo às influências dos partidos mais à esquerda. Este segmento da política nacional continua a olhar o investidor como um inimigo, capitalista e explorador da classe trabalhadora e a rotular os proprietários de detentores de fortunas que, apenas por essa razão, merecem o calvário da carga fiscal. O exemplo mais lamentável e realista da forma de encarar a tributação daqueles que investem as suas poupanças gerando riqueza e emprego é o adicional ao IMI. Ao arrepio da tendência de anteriores orçamentos que induziam ao investimento na área imobiliária este novo imposto, ele próprio imposto pelo Bloco de Esquerda, veio apanhar de surpresa aqueles que consideravam ser séria a política fiscal de incentivo ao investimento imobiliário, obrigando ao pagamento de mais um tributo sobre os imoveis. Em contrapartida quem não investiu ou transferiu os seus ativos para o exterior passou à margem desta voragem fiscal. Por isso temos razões para ficar preocupados. Com a falta uma política coerente, com a ausência de um rumo estratégico em matéria fiscal e principalmente pela incapacidade que o governo em exercício tem de rejeitar propostas “confiscatórias” dos partidos do arco de esquerda, unidos pela crença de que compete aos investidores salvar as finanças do país. Oxalá a economia possa prosseguir em bom ritmo, aliviando o sistema de novos impostos, porque está visto que numa conjuntura de crise o poder em funções não terá pudor em criar um novo imposto, a semelhança do que fez noutra sede com as taxas e taxinhas.


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