Editorial 30-11-2016
Web Summit: Somos Portugal

A capacidade de Portugal receber eventos de escala mundial já não é uma novidade. Somos efectivamente muito bons na arte de bem receber. Com um clima moderado, uma gastronomia apetecível e tentadora e uma excepcional capacidade de fazer quem nos visita sentir-se em casa e querer voltar, fomos colocados mais uma vez no centro do mundo, pelos melhores motivos. A primeira edição da Web Summit em Lisboa chega ao fim e o balanço não podia ser mais positivo. Cerca de 50 mil pessoas passaram pelo complexo do Meo Arena e muitos milhares de jovens empreendedores, investidores, players políticos e outros simplesmente curiosos, de todos os quadrantes mundiais, trocaram contactos e ideias de negócio e partilharam experiências. Sem dúvida que aliciar grandes eventos e projectos internacionais é imprescindível para Portugal, para o crescimento económico e para o nosso posicionamento na Europa e no Mundo. Já não numa óptica de provar a quem quer que seja que temos capacidade e qualidade para os organizar e/ou receber, mas sim firmando uma posição (cada vez mais) incontestável de que somos um País com elevados índices de qualidade de vida que tem em si um potencial incomensurável de oportunidades. Oportunidades para os nossos jovens estudantes e empreendedores, oportunidades para as nossas empresas e desafios para as nossas Universidades. Portugal sempre se apresentou como um país com projectos na vanguarda da tecnologia, razão pela qual temos ideias e empresas com selo português por todo o Mundo. Se bem que, por vezes, não as saibamos valorizar na devida altura ou utilizá-las para catapultar tantas outras. Temos start-ups e jovens empresas e empreendedores dispersos por todo o Mundo pelas mais variadas razões: por aí encontrarem mercados mais atractivos e com respostas, no imediato, mais promissoras, por o investimento estrangeiro a tanto obrigar ou singelamente por não existir, à altura, capacidade e expectativa de crescer e vingar no nosso país. Hoje o cenário está a mudar. Temos dezenas de pólos empresariais e incubadoras que nos fazem prever um futuro altamente promissor. Há quem fale mesmo na possibilidade de Lisboa vir a ser a próxima Silicon Valley da Europa. Ainda assim, devemos pragmatizar o assunto a fim de conseguirmos capitalizar a vinda da Web Summit para Portugal. Sem dúvida que o sucesso é por demais evidente, quanto mais não seja pelos números diretamente encaixados em todos os planos do Turismo no decorrer do evento. Mas esta onda empreendedora tem de ir muito além de um evento, como tantos outros que já pisam terras lusas. Temos de continuar a alimentar com todo o entusiasmo estas oportunidades diariamente e não apenas por altura dos “tempos de festa”, pois há um tecido empresarial nacional e um amplo conjunto de jovens empreendedores que necessitam desse empenho e regozijo ininterruptamente. Transportemos a emoção nos invadiu durante a Web Summit para o nosso quotidiano. Portugal tem História e potencial para o futuro. Só nos faltam mesmo governantes à altura dos nossos desígnios.


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