Editorial 29-07-2016
Ainda o Brexit: O fim das excepções?
Áreas de Prática Trabalho

A União Europeia vê partir um dos seus membros. O povo britânico votou e decidiu sair. A democracia impera e a voz do povo é soberana. As consequências da saída, essas estamos ainda longe de as poder prever...

O certo é que a União Europeia enfrenta agora uma situação ímpar na sua História que exorta homens e decisões do mesmo calibre dos princípios da cooperação, integração e solidariedade que lhe estão na base. Mesmo que a opção passe por dar um passo atrás no processo integrativo da União e volte a basear-se (apenas) numa zona de comércio livre.

Sem entrar em leituras precipitadas dos dados estatísticos dos resultados do Referendum no Reino Unido, a verdade é que a afluência às urnas foi das maiores de sempre (cerca de 73%) e não devemos “colar” a decisão a faixas etárias ou habilitações literárias dos votantes. Mas sim, entender que o que verdadeiramente impulsionou o Brexit foi a lucidez e frieza que tão bem caracterizam os britânicos. Lucidez e frieza no momento de sentenciar a perda de soberania que vinham reclamando.

Aliás, eles nunca a aceitaram partilhar ou deslocar em parte para Bruxelas. Sempre olharam o projecto europeu com as maiores reservas, bebendo o vinho e comendo as uvas mas sem nunca arcar com o peso das cestas e com o trabalho da vindima.

Sempre foram assumidamente eurocépticos. O real problema foi sempre alcançarem o regime de excepção que desejavam ou conseguiam impor.

Certamente que se iniciarão novas “batalhas”, nomeadamente com os movimentos mais europeístas que surgem na Escócia, na República da Irlanda e na Irlanda do Norte, que elucidativamente responderam “Sim” à permanência na União e não se querem agora ver dela afastados. Mesmo no seio de Londres nascem movimentos semelhantes com assinalável dimensão. Permanecerá o Reino...unido? Ou haverá lugar a referendos pela independência? Mais uma vez não temos resposta e reina (ainda) a incerteza...

Mas, afinal de contas, uma coisa é certa: o Reino Unido quis sair. E sair não é ficar com um pé dentro e outro fora, nem muito menos atravessar o canal apenas quando dá jeito. Não estamos em tempo de chorar sobre o leite derramado, mas sim erguer os braços e erguer a União Europeia com a força que a mesma se formou. Há que proceder à saída do Reino Unido o mais indolor possível: tem de ser célere, criteriosa e exigente, sem mais regimes de excepção.


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